Ela diz que me ama e que
comeria cola para provar. Eu, em
pé no meio
da sala, olho meio de lado o vidro de conteúdo branco em sua mão. Ela
apareceu dois anos atráz sem nada a dizer, amiga de um amigo, ouvira falar
de mim, e assim entrou, porta adentro, me beijando a boca, deixando um
rastro inconfundível de mulher. Limpa, cozinha, lava minhas roupas sujas,
acorda de madrugada e me faz amor, me traz cigarro acesso colorido com a
cor de seu batom, canta no chuveiro, ri e é feliz. Hoje, entra na sala,
diz que me ama e quer provar, e olhando o frasco transparente em suas
mãos, ela pega uma mala já pronta, põe o vidro dentro da bolsa, e se vai,
porta afora, sem nada a dizer, enquanto penso sobre a marca de cola que
beberia.